domingo, 13 de dezembro de 2015

Plenitude

Viver.
Apenas talvez
pousar a minha mão na tua
e dizer: << Amo-te>>
como se fosse sempre
a  ultima vez...

Viver...
Debruçada na janela
do meu quarto só,
ver os derradeiros
lilazes desta primavera
e pensar: <<é belo>>!
como se fossem aqueles
sempre os primeiros...

Viver!
Embalar com inquieto coração
o menino que há de ser
o homem novo de amanha
E acreditar firmemente que o será,
...quer seja ou não...

Alda Lara

Coisas da banda

     

         Bom, é bem verdade que o dia da Dipanda já passou, não falei da data antes por motivos técnicos, mas com tudo cá estou, não para falar exactamente dos 40 anos, mas sim de um dos eventos que decorreu durante a celebração dos 40 anos de independência de Angola, nomeadamente o lançamento das lanternas chinesas na marginal de Luanda. Foi uma ocasião que sortiu um misto  de emoções, alegria, tristeza e indignação. Isto porque apesar de estarmos em crise foram gastos  balurdios para o tal evento, que ao chegar  no local  as pessoas apercebiam-se logo  que os técnicos de som  não perderam nenhum ( ou muito pouco ) do seu preciosíssimo tempo para verificar se estava tudo a postos, o ruído era tão constante que mais parecia ser intencional, só não cheguei ao ponto de pensar que era um remix da musica porque via-se o descontentamento dos cantores com aquela situação.
       Logo a seguir, quando foi anunciado que o povo devia dirigir-se  aos postos de distribuição das lanternas para obter as mesmas, foi o fim, era de uma tristeza só ver o quanto lutavam, ofendiam e passavam por cima dos outros por uma simples lanterna ( sem esquecer que muitos dos tais já estavam possuídos, totalmente dominados pela álcool comercializado em todas as esquinas como se de água se tratasse) aquilo mais parecia wrestling em que o troféu era a lanterna e muitos tiveram a coragem de tentar vender as mesmas para os que decidiram não fazer parte da luta romana que ai decorria.
        E a situação só piorou, pois era suposto fazer o lançamento das lanternas a meia noite, foi então que eu vi que o angolano sofre de ansiedade aguda, pois por mais que lhes dissessem que só podiam acender as lanternas a meia noite ( tendo em conta que  alem de ansiosos estavam possuídos com o espírito do álcool ) eles simplesmente recebiam e acendiam logo as lanternas, transformando a marginal num autentico campo de sobrevivência em que os demais tinham de fugir das lanternas que estavam a pegar fogo no chão e das outras que desciam do céu em chamas, isto porque não esperaram para ouvir as instruções por parte dos escuteiros que no momento estavam a tentar manter a "organização" na parte de distribuição das lanternas. Até ter alguma "organização" tanto na distribuição como no lançamento das lanternas,  as pessoas passaram ali  verdadeiros momentos de tensão até que por fim todos fomos capazes de fazer o lançamento e foi bonito de se ver, mas sempre com o coração na mão e atentos as lanternas em chamas que se juntavam as várias latas de cerveja que se encontravam no chão.
        De seguida começou o show de pirotecnia, que por acaso foi muito bonito e demorado, causando espanto e alegria nos presentes, mas como a maioria do pessoal gosta de ter uma saída em grande, muitos simplesmente decidiram pegar mais de uma lanterna e assim poder levar algumas para casa,  eu fiquei sem saber se era para usar como prova de que estiveram no local, se era para os demais que não foram ou mesmo para depois poder soltar lá no bairro, digo isto porque não foi um ou dois casos, na verdade foram mais de dez. Até que eu pensei que quem sabe a maioria do pessoal que ai estava fazia parte dos 35% da população analfabeta, se for o caso, já explica alguma coisa.