quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Dois sacos de Arroz à Hora




         Ontem eram só 150 kzs, subiu para 200 kzs e continuou a caminhar balançando o seu traseiro volumoso e carnudo como a jovem mais desejada da rua, aquela que todos sabem que não podem ter mas que por coragem e também para fazer afronta aos amigos e vizinhos todos tentam a sorte, uns ainda conseguem ser visto a tocar mas se realmente vai além disso ninguém sabe.
         Não, não falo de uma prostituta até por que nunca recorri a estes serviços por isso não sei por quanto esta ou estava o serviço, também não falo da menina bonitinha lá do bairro que por saber o quanto é desejada desdenha de todos enquanto faz a sua habitual caminhada, falo mesmo dos bens alimentícios, aqueles conhecidos e considerados por todos como bens de necessidade básica, estes mesmo que nos passam a sensação de que daqui a nada estão mais caros do que uma hora com uma acompanhantes de luxo e isso no pacote diamante ( tive de investigar), sem contar que os  mesmos  tendem a sumir cada vez mais das prateleiras das nossas lojas e quando aparecem chegam a assustar mais do que a aparição de um Cazumbi.  As pessoas vagueiam pelos super mercados ou mesmo nas "praças" com um olhar vago e repleto de saudosismo igual ou pior de quem se lembra do seu falecido parente ao ver a colossal disparidade entre os preços actuais e aqueles que eram considerados normais a bem pouco tempo, mas o pior não é isto, o pior mesmo é voltar no dia seguinte e ver que o preço já não é o mesmo, antes que tivessem baixado mas não, tal como disse antes sobem tão depressa que daqui a nada as acompanhantes de luxo estão a ser pagas com sacos de arroz por que o valor é exatamente o mesmo.
             E eu fico a pensar, se o valor da conta d aluz subiu ( conta essa que com toda a sua exuberância chega em nossas casa após uma semana no escuro ), a água que até um tempo atras era sumo de Mucua também subiu, temos de pagar mil e um impostos, o taxi, o nosso azulinho,  a geleira também subiu e com  o combustível também não foi diferente, até porque foi o primeiro bloco desse desfile carnavalesco, de que forma o pobre rapaz e aquela bela orquídea, que por ironia ou bênção divina tiveram o seu filho antes de concluírem os estudos iram pagar as contas, manter a despensa semi - cheia ( até por que temos de ser optimistas) e ainda assim terminar os estudos e virem a
ser um quadro e não mais um apagador ou giz formado no nosso país ?

         Por hoje é tudo, veremos se amanhã ainda serão dois sacos ou apenas um....

domingo, 13 de dezembro de 2015

Plenitude

Viver.
Apenas talvez
pousar a minha mão na tua
e dizer: << Amo-te>>
como se fosse sempre
a  ultima vez...

Viver...
Debruçada na janela
do meu quarto só,
ver os derradeiros
lilazes desta primavera
e pensar: <<é belo>>!
como se fossem aqueles
sempre os primeiros...

Viver!
Embalar com inquieto coração
o menino que há de ser
o homem novo de amanha
E acreditar firmemente que o será,
...quer seja ou não...

Alda Lara

Coisas da banda

     

         Bom, é bem verdade que o dia da Dipanda já passou, não falei da data antes por motivos técnicos, mas com tudo cá estou, não para falar exactamente dos 40 anos, mas sim de um dos eventos que decorreu durante a celebração dos 40 anos de independência de Angola, nomeadamente o lançamento das lanternas chinesas na marginal de Luanda. Foi uma ocasião que sortiu um misto  de emoções, alegria, tristeza e indignação. Isto porque apesar de estarmos em crise foram gastos  balurdios para o tal evento, que ao chegar  no local  as pessoas apercebiam-se logo  que os técnicos de som  não perderam nenhum ( ou muito pouco ) do seu preciosíssimo tempo para verificar se estava tudo a postos, o ruído era tão constante que mais parecia ser intencional, só não cheguei ao ponto de pensar que era um remix da musica porque via-se o descontentamento dos cantores com aquela situação.
       Logo a seguir, quando foi anunciado que o povo devia dirigir-se  aos postos de distribuição das lanternas para obter as mesmas, foi o fim, era de uma tristeza só ver o quanto lutavam, ofendiam e passavam por cima dos outros por uma simples lanterna ( sem esquecer que muitos dos tais já estavam possuídos, totalmente dominados pela álcool comercializado em todas as esquinas como se de água se tratasse) aquilo mais parecia wrestling em que o troféu era a lanterna e muitos tiveram a coragem de tentar vender as mesmas para os que decidiram não fazer parte da luta romana que ai decorria.
        E a situação só piorou, pois era suposto fazer o lançamento das lanternas a meia noite, foi então que eu vi que o angolano sofre de ansiedade aguda, pois por mais que lhes dissessem que só podiam acender as lanternas a meia noite ( tendo em conta que  alem de ansiosos estavam possuídos com o espírito do álcool ) eles simplesmente recebiam e acendiam logo as lanternas, transformando a marginal num autentico campo de sobrevivência em que os demais tinham de fugir das lanternas que estavam a pegar fogo no chão e das outras que desciam do céu em chamas, isto porque não esperaram para ouvir as instruções por parte dos escuteiros que no momento estavam a tentar manter a "organização" na parte de distribuição das lanternas. Até ter alguma "organização" tanto na distribuição como no lançamento das lanternas,  as pessoas passaram ali  verdadeiros momentos de tensão até que por fim todos fomos capazes de fazer o lançamento e foi bonito de se ver, mas sempre com o coração na mão e atentos as lanternas em chamas que se juntavam as várias latas de cerveja que se encontravam no chão.
        De seguida começou o show de pirotecnia, que por acaso foi muito bonito e demorado, causando espanto e alegria nos presentes, mas como a maioria do pessoal gosta de ter uma saída em grande, muitos simplesmente decidiram pegar mais de uma lanterna e assim poder levar algumas para casa,  eu fiquei sem saber se era para usar como prova de que estiveram no local, se era para os demais que não foram ou mesmo para depois poder soltar lá no bairro, digo isto porque não foi um ou dois casos, na verdade foram mais de dez. Até que eu pensei que quem sabe a maioria do pessoal que ai estava fazia parte dos 35% da população analfabeta, se for o caso, já explica alguma coisa.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O ensaio sobre a cegueira

       

       Apesar de ainda ter os olhinhos inchados de tão arregalados que estiveram depois do que tenho visto nos últimos tempos, na verdade semanas, apesar de ser já um hábito na nossa terrinha, certas situações ainda suscitam um misto de espanto e tristeza, levando o pacato cidadão a questionar o seu Q.I por alguns minutos ou mesmo horas de tão absurdas que são tais situações.
         De certeza que já devem ter reparado que o cenário que vence todos os troféus nos meus textos é a cidade de Luanda, pois é esta a realidade que melhor conheço,  desde que me lembro que a mesma anda cheia de problemas, buracos nas estradas, nos passeios, recantos sem flores ou apenas com folhas secas a enfeitar o canteiro, lixo aqui e acolá, mas por vezes milagrosamente, como que por magia arranjam as coisas, é o que têm tentado fazer, porém diferente das outras vezes
 ( diferente entre aspas, pois continuam a arranjar as mesmas vias desde que eu era um botão de gente), eles por acaso começaram a fazer um trabalho em condições, mas depois simplesmente passaram a deixar lacunas mais do que visíveis, é que os borrões do caderno de colorir de uma criança chegam a estar mais camuflados do que os remendos mal feitos que os mesmos têm elaborado.
       E só para recordar, as obras estão a ser feitos num momento em que vivemos uma crise que a cada dia que passa só tende a piorar, um momento em que nos foi aconselhado apertar os cintos, será que não há nada mais relevante do que estradas que apesar de não estarem impecáveis não nos impediam de transitar? E para por uma pitadinha de comédia neste filme ( até porque mas se parece com um, com tantas cenas de ficção cientifica que vemos diariamente ) eles cometem erros desnecessário, arranjam vias que não precisavam ser arranjadas, destroem passeios que foram arranjados ou remendados uma semana antes, mas visto que não sou engenheira nem nada talvez a errada seja eu.
        O que me faz lembrar de outra coisa, o nosso bendito  lixo, aquele amigo do peito  que sinceramente sempre fez parte do cenário Luandense, independente da categoria do filme ele sempre lá esteve mas sempre foi como coadjuvante, se incomodava? Sim, sempre incomodou, contudo surpreendentemente o mesmo  passa para protagonista deste drama, e eu fico cá a pensar muito seriamente com quem é que ele deitou-se para passar a ter o papel principal? Pensei muito mas não cheguei lá, mas mais uma vez eu não entendo nada disso, quem sabe eu é que estou redondamente errada. Se bem que o angolano, o tal povo alegre, batalhador, vencedor, que mesmo na dor não perde o encanto pela vida, também não ajuda, aliás muitos fazem questão de atirar o lixo pelas ruas como se de enfeite de natal se trata-se.
             E com isso tudo surge outra questão, mas essa cegueira de proporção nacional é passageira ou permanente?  Eu sinceramente não sei, caso alguém saiba agradecia que me dissesse, por isso sem mais delongas, me despeço.

            Até breve....

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Presságio

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…


Fernando Pessoa

terça-feira, 26 de maio de 2015

Futuros Senhores Doutores



A geração que se tem formado nos últimos anos deixa a desejar, claro que nem todos, afinal não somos todos filhos da mesma mãe. Porém a sua maioria só passa na universidade, para que não seja o único na "crew" que não está na "uni", outros a sua única motivação é o facto de poder mostrar as pecinhas novas do armário porque são aquelas que estão na moda, sem dar valor algum ao esforço feito pelos pais que tanto batalham, aturam os chefes carrancudos e mal educados todos os dias para que um dia o filho venha a ser Doutor.
Não esqueçamos que tem também aqueles pais, cujo dinheiro cai das árvores por isso, o filho passando como não, não faz diferença pois será na mesma o Sr. Doutor .
    Com isso, nos deparamos com situações constrangedoras, em que o chefe faz um relatório e o mesmo está cheio de erros e para piorar a situação o mesmo tem de ser partilhado com os demais colegas do departamento e não só, a pessoa vê-se obrigada a tirar algum do seu tempo para fazer tal correcção, pois caso contrário aparece o chefe em alvoroço a balbuciar asneira para tudo quanto é canto dando a entender que tu é que és incompetente enquanto que foi ele quem escreveu.

Sim, esta é a sociedade em que vivemos, cujo o nome tem mais peso do que o cérebro, onde a roupa de marca fala mais alto do que a inteligência, onde o " papa " é que manda e querendo como não o gajo que só vias no refeitório da faculdade a expor o novo telefone e a contar o quão luxuoso foi o seu fim de semana tem grandes probabilidades de ser o nosso futuro chefe. Assim caminhamos quase como simples zombies que só dizem sim, de cabeça baixa com medo de perder a sua moeda de 1 centavo que é depositada mensalmente com muito desdém, assim caminhamos....

Até breve

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

2015






Começa mais um ano e por mais que a pessoa não queira, acaba sempre por pensar e repensar no que fez da sua vida. Mas o mais engraçado mesmo, é quando olhamos para trás e vemos que não é de hoje que estamos neste mundo.
Comigo isto normalmente acontece quando vejo um filme antigo, tipo o Rambo e outros,  lembro do quanto eu ficava maravilhada com aquilo, com aquela trapalhada toda, tiros pra todo lado, onde a maioria estava direcionada ao actor principal, o mesmo nunca morria e nós acreditávamos que ele era imortal, sonhávamos ser como ele porque passava por tanto e nada o parava. Quando vemos os nossos antigos brinquedos e nos apercebemos do quanto eramos inocentes e felizes, sem problemas ( isto claro que varia de pessoa para pessoa) e acreditávamos nas coisas mais tolas que nos podiam contar.

Porem, é com muita alegria que nos apercebemos disso, claro que não foi fácil, claro que não tem sido fácil e ninguém pode nos garantir que será fácil, mas mesmo assim cá estamos nós, lutamos e procuramos ganhar, aprender, ensinar , conquistar e ser conquistados. Plantar o melhor e esperamos colher os melhores frutos, apesar de sabermos que nem sempre será assim, mas tentamos, nem todos conseguem mas o importante mesmo é tentar.

Com o princípio deste novo ano, começa mais uma batalha, mais lutas por enfrentar, seremos fortes, sim, isso mesmo, seremos fortes enfrentaremos e venceremos mais esta batalha, seremos grandiosos a nossa maneira, gloriosos dentro das nossas possibilidades, podemos não ganhar a guerra na sua totalidade mas certas batalhas serão vencidas com honra.

Por isso meus amigos, feliz ano novo e lá vamos nós para mais uma guerra.
Até breve