segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O ensaio sobre a cegueira

       

       Apesar de ainda ter os olhinhos inchados de tão arregalados que estiveram depois do que tenho visto nos últimos tempos, na verdade semanas, apesar de ser já um hábito na nossa terrinha, certas situações ainda suscitam um misto de espanto e tristeza, levando o pacato cidadão a questionar o seu Q.I por alguns minutos ou mesmo horas de tão absurdas que são tais situações.
         De certeza que já devem ter reparado que o cenário que vence todos os troféus nos meus textos é a cidade de Luanda, pois é esta a realidade que melhor conheço,  desde que me lembro que a mesma anda cheia de problemas, buracos nas estradas, nos passeios, recantos sem flores ou apenas com folhas secas a enfeitar o canteiro, lixo aqui e acolá, mas por vezes milagrosamente, como que por magia arranjam as coisas, é o que têm tentado fazer, porém diferente das outras vezes
 ( diferente entre aspas, pois continuam a arranjar as mesmas vias desde que eu era um botão de gente), eles por acaso começaram a fazer um trabalho em condições, mas depois simplesmente passaram a deixar lacunas mais do que visíveis, é que os borrões do caderno de colorir de uma criança chegam a estar mais camuflados do que os remendos mal feitos que os mesmos têm elaborado.
       E só para recordar, as obras estão a ser feitos num momento em que vivemos uma crise que a cada dia que passa só tende a piorar, um momento em que nos foi aconselhado apertar os cintos, será que não há nada mais relevante do que estradas que apesar de não estarem impecáveis não nos impediam de transitar? E para por uma pitadinha de comédia neste filme ( até porque mas se parece com um, com tantas cenas de ficção cientifica que vemos diariamente ) eles cometem erros desnecessário, arranjam vias que não precisavam ser arranjadas, destroem passeios que foram arranjados ou remendados uma semana antes, mas visto que não sou engenheira nem nada talvez a errada seja eu.
        O que me faz lembrar de outra coisa, o nosso bendito  lixo, aquele amigo do peito  que sinceramente sempre fez parte do cenário Luandense, independente da categoria do filme ele sempre lá esteve mas sempre foi como coadjuvante, se incomodava? Sim, sempre incomodou, contudo surpreendentemente o mesmo  passa para protagonista deste drama, e eu fico cá a pensar muito seriamente com quem é que ele deitou-se para passar a ter o papel principal? Pensei muito mas não cheguei lá, mas mais uma vez eu não entendo nada disso, quem sabe eu é que estou redondamente errada. Se bem que o angolano, o tal povo alegre, batalhador, vencedor, que mesmo na dor não perde o encanto pela vida, também não ajuda, aliás muitos fazem questão de atirar o lixo pelas ruas como se de enfeite de natal se trata-se.
             E com isso tudo surge outra questão, mas essa cegueira de proporção nacional é passageira ou permanente?  Eu sinceramente não sei, caso alguém saiba agradecia que me dissesse, por isso sem mais delongas, me despeço.

            Até breve....

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